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A Receita Vencedora dos Atletas Bisavôs

Sedentários que começaram a praticar exercícios com regularidade depois dos 50 anos mostram que é possível enfrentar a terceira idade com vigor físico e qualidade de vida.

Daphinis de Lauro, de 88 anos, Mitiko Nakatani, de 80 anos, e Ivone Ramos, de 70, são bisavôs saudáveis e de bem com a vida. Eles abandonaram o sedentarismo após os 50 anos, adotaram uma atividade física e não pararam mais. A receita desses atletas bisavôs inclui uma rígida e disciplinada rotina de treinos cinco vezes por semana, alimentação balanceada e um fato: nunca é tarde para começar.

O Sedentarismo é classificado há dez anos como doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e segundo um estudo divulgado pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos, estava relacionado a 5,3 milhões de mortes no mundo em 2008. Isso se deve ao fato do sedentarismo facilitar o desenvolvimento de diabete, hipertensão, obesidade e até determinados tipos de câncer. Este número representa 9% das mortes anuais causadas por doenças crônicas não transmissíveis, perdendo apenas para o tabagismo.

A especialista em medicina esportiva, Sandra Matsudo, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), afirma: “o envelhecimento é um processo natural, mas é preciso se preparar com antecedência”.  Para Sandra, praticar exercício é como fazer uma “poupança” da saúde do corpo, pois a partir dos 30 anos o corpo inicia a perda do vigor e entre os 50 e 60 anos há uma perda acentuada de massa muscular, principalmente nos membros inferiores, atingindo articulações e o equilíbrio. Infelizmente, a maioria das pessoas só começa a se exercitar a partir do momento que as doenças crônicas se manifestam.  A prática regular de atividade física nesta faixa etária fortalece o sistema cardiovascular e atua no combate a osteoporose.

Mitiko tomava remédios até os 54 anos para aplacar as dores nas costas e as crises de hipertensão, mas por recomendação médica começou a caminhar, apenas uma volta no quarteirão por dia, mas foi aumentando a distância até iniciar a correr e a partir daí procurou uma orientação profissional específica. O treinador Wanderlei de Oliveira relata que no início o mais notável foi a melhora da autoestima, ajudando a derrubar o mito de que a idade é um fator limítrofe para  a prática de atividade física. Hoje ela participa de circuitos de provas de ruas dentre ela três maratonas internacionais, vencendo duas na sua faixa etária.  Além dos treinos técnicos de corrida, ela pratica musculação e hidroginástica.

Já Ivone, iniciou a prática de atividade física aos 51 anos, também por recomendação médica. A indicação foi natação para atuar no tratamento de varizes. Ela não sabia nadar e a partir do momento em que aprendeu decidiu partir para um treinamento sério. Acumulou muitas vitórias e recordes pessoais durante 17 anos participando de torneios master, incluindo na sua rotina de treinos a musculação e esteira. Buscando novos desafios trocou a natação pela corrida de rua e já completou cinco meias maratonas em dois anos. Treina seis vezes por semana, sendo dois dias na piscina e diz ser a única da família a praticar exercícios. Disse ao filho que acabou de completar 52 anos: “Comecei na sua idade. Ainda dá”.

Daphinis Lauro foi um exemplo para a família fazendo com que eles praticassem atividade física. A mulher de 84 anos nada e faz musculação, o mais velho dos cinco filhos de 64 anos compete em provas de 3.000 e 5.000 metros em mar aberto e também uma nora, um neto e uma neta malham na mesma academia que a dele. Ele praticou atletismo na juventude, mas se tornou sedentário quando começou a trabalhar como autônomo, saindo da mesmice quando decidiu frequentar uma academia perto da sua casa aos 56 anos. Ao mudar de bairro matriculou-se em outra academia e aos 75 anos passou a treinar com um profissional e já acumulou mais de 50 medalhas em provas de natação. Ele enfrentou preconceito de amigos próximos que achavam a carga de treinos muito pesada para a sua idade, e hoje lamenta que todos eles já tenham morrido. Diz que o ruim é não ter ninguém da sua faixa etária (85-90anos) competindo em provas master de natação. “Meu adversário sou eu”, diz.

O Cientista que virou Cobaia.

Ex-fundista voltou a correr após 32 anos. Edgard Freire é professor de fisiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), e aos 64 anos decidiu voltar às pistas e disputar a Maratona de Nova Iorque. Isso ocorreu em 1995 e fez parte de um estudo de caso apresentado num congresso de cardiologia acompanhado por uma equipe multidisciplinar, que incluía cardiologista, fisiologista, ortopedista, nutricionista e psicólogo, além do preparador físico Wanderlei de Oliveira. Edgard estava gordo e não conseguia amarrar os tênis. Perdeu 15 quilos ao longo de um ano de treinamento e completou a prova em 4h32. Desde então mantém a rotina de treinos e acorda todos os dias às 4h30 e às 5h00 já está se aquecendo para correr.

Mínimo Necessário para levar uma vida saudável: praticar 30 minutos (contínuos ou não) de atividades físicas cinco vezes por semana.

Recomendações:

Mexa-se: Qualquer exercício é melhor que nada. Não espere surgir inspiração ou arrumar tempo para sair da letargia.

O que fazer: A melhor atividade física é a que lhe dá prazer e entra mais fácil na sua rotina.

Pacote Completo: Não adianta iniciar uma atividade física regular sem mudar os hábitos alimentares e de vida.

Doenças crônicas: Se você é hipertenso, diabético ou tem cardiopatia, é recomendável consultar o seu médico antes de sair malhando.

Evite abusos: Prefira caminhada, musculação ou natação no início, atividades que estimulem os músculos e sistema cardiovascular.

Fonte: O Estado de São Paulo, Domingo, 9 de Setembro 2012 pág A18.